quinta-feira, abril 17, 2008

CASO ISABELLA: MENTES PERVERTIDAS, CRIMES HEDIONDOS

À medida em que a polícia aumenta o cerco ao casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, e, principalmente, após a revelação de detalhes intrigantes do depoimento da mãe de Isabella, Ana Carolina Cunha de Oliveira, mais e mais os suspeitos de assassinato, o pai e a madrasta, se encaixam no perfil traçado no ensaio, publicado por Baby Espíndola Repórter, em 3 de abril, poucos dias após a morte da criança.

Sou jornalista profissional, não psicólogo de formação, mas apaixonado pela Psicologia, como autodidata. Na função de repórter investigativo, tarefa que desenvolvi por quase duas décadas, em jornais e emissoras de rádio e de televisão, sempre procurei ensinamentos nas teorias científicas da Psicologia. Também nunca dispensei os livros que tratam da espiritualidade, da Sociologia, da Biologia e até da Ecologia e outros ensinamentos que nos facilitam uma compreensão mais aprofundada sobre o complexo comportamento humano.

Mas, antes de nos aventurarmos em conjecturas e teorias, olhemos a menina Isabella, no fundo dos olhos - se é que temos coragem para isso. Observe a pureza do olhar, a sensibilidade e fragilidade dos traços do rosto, a doçura do sorriso.

E, agora, pense nisso: existem leis, no Brasil, capazes de punir os monstros que eliminaram os sonhos dessa criança? E as outras, que ainda são barbarizadas, violentadas e assassinadas... Quem delas vai cuidar?

Olhe novamente, no fundo dos olhinhos de Isabella, pois ela insiste em nos olhar... Até parece que ainda pede socorro...

Precisamos de uma reflexão profunda. A classe política da república do mensalão, responsável pela elaboração das leis, nem percebeu que uma criança, de cinco anos, foi espancada e atirada do sexto andar de um prédio. Certos políticos da Câmara Federal, estavam mais preocupados em aumentar suas vultosas verbas de gabinete.

Senadores e deputados passam os dias lutando, se degladiando, em torno de temas da corrupção. É só o que fazem. Muitos estão lá, no Congresso Nacional, para fugir da Justiça.

Enquanto isso, os mortais brasileiros, principalmente as crianças, continuam sujeitos à ensandecida fúria dos criminosos, que agem na impunidade. Inclusive, alguns das próprias famílias, com quem as vítimas convivem.

Agora, os fatos... O depoimento de Ana Carolina de Oliveira, mãe biológica de Isabella, não nos parece carregado de emotividade, muito menos de ódio, visto que, até agora, ela tem demonstrado mais serenidade do que se poderia esperar. O que a qualifica para nos ajudar a compreender o perfil do casal, envolvido no nevoeiro de suspeita de assassinato.

Com base em trechos revelados do depoimento da mãe de Isabella, Anna Jatobá, a madrasta, é uma desqualificada, uma desequilibrada emocional, incapaz de controlar o ciúme e que, constantemente, se deixava dominar pela cólera, o que impede o raciocínio lógico e soterra a razão. Incluindo, aqui, informações sobre outros depoimentos de testemunhas, aceitos e reconhecidos pela polícia, o ódio, o ciúme, a cólera arraigada, podem ter sido os fatores que desencadearam a agressão à menina Isabella e que levou o casal a concluir um assassinato.

Pai e madrasta envolvidos numa crise emocional, coléricos, teriam levado a agressão a um estágio inaceitável, comprometedor. Com a menina gravemente ferida, sangrando e aparentemente morta, teriam decidido atirar o corpo pela janela, "não com a finalidade de provocar o óbito, mas de mascarar a lesão provocada no apartamento", segundo informações da polícia.

Mas, retornando às partículas textuais do depoimento da mãe Ana Carolina, denota-se que, além das cenas de ciúme e rancor, supostas outras agressões à menina Isabella ocorreram durante as visitas ao pai. O mais chocante e estarrecedor é que – segundo a mãe biológica –, diante do corpo da menina, que possivelmente ainda respirava no gramado do jardim do condomínio, Anna Carolina, a madrasta, desfilou um discurso de impropérios e palavrões, uma fala somente compatível a um filme pornográfico. Muito estranho, uma reação dessa natureza, diante do sofrimento – sofrimento dos outros. Essa postura, atestada por outras testemunhas, conduzem a madrasta Anna Carolina, suspeita de assassinato, ao banco da desqualificação moral, uma pessoa sem nenhuma sensibilidade. Ela só parou de produzir palavrões, quando Ana Carolina, a mãe, mandou ela se calar.

Quanto ao frio e calculista consultor jurídico, senhor Alexandre Nardoni, a julgar pelas informações da mãe de Isabella, ele pode ser enquadrado no batalhão de jovens de classe média alta, dissimulados e agressivos. Aparentemente, Alexandre sofre do mal da síndrome de comportamento do jovem de classe média. São pessoas que não aceitam o não, que, quando contrariados, tornam-se extremamente agressivos e expressam, sem temor, toda a agressividade acumulada durante anos, seja através de filmes, exemplos da própria sociedade, jogos violentos de vídeo game, estresse da vida urbana, além de tantos outros instrumentos da moderna tecnologia.

Alexandre é frio, calculista, dissimulado. E mentiroso. Além disso, confia no IBI – Instituto Brasileiro da Impunidade. O homem que ele disse ter visto no apartamento, de onde a filha foi atirada, com certeza é “o fantasma da ópera”. Talvez, a “mula sem cabeça”. O problema é que, em sete visitas ao apartamento, os peritos não encontraram vestígios de arrombamento, nem mesmo uma pegada estranha no piso. Só as pegadas das patas do pai e da madrasta malvada aparecem. Entre as gotas de sangue de Isabella. Se uma terceira pessoa esteve no apartamento, certamente tinha asas. Como aqueles anjos cor-de-rosa, que os jovens alucinados avistam após usar drogas pesadas.

São conhecidos de todos nós, os relatos de violência praticada por jovens de classe média alta. Alguns desses casos terminaram em tragédias. Basta citar o assassinato do índio Galdino, que foi queimado vivo, em Brasília, e a empregada que foi espancada, no Rio, porque fora confundida com uma prostituta. Todos esses e outros casos foram banalizados pela impunidade.

Embriagados e drogados, alguns jovens da classe média alta – categoria na qual se encaixam Alexandre e Anna madrasta Carolina – batem em vizinhos, espancam em boates e no trânsito, motivados por um olhar indesejável ou um som de buzina. E a justiça, que é cega, sempre os protege com sua capa preta. É justamente essa postura do Estado que os incentiva a agir violentamente.

Ainda, segundo relatos de Ana Carolina, a mãe, Alexandre torna-se agressivo com quase nada. Certa vez, uma brincadeira, durante uma festa, deixou o garanhão selvagem possesso. Tirou a camisa, queria brigar, dar porrada. Nessas horas, fica tão brabo que, para ir ao banheiro, tem que ser amarrado. Em outra ocasião, muito irritado e descontrolado, atirou o filho para o alto e deixou que caísse ao chão. Em outro momento, anunciou que estava armado e que mataria a ex-sogra – fato registrado em delegacia de polícia.

Esse perfil, traçado a partir de revelações recentes, vai se consolidando como algo comum aos jovens de classe média alta, tão conhecido de todos os brasileiros. A doméstica do Rio, soube o que é enfrentar a selvageria de gente como Alexandre Nardoni, um membro do império do tem-de-tudo, do pode-tudo, do tudo-é-possível. Para eles, não existem limites. O dinheiro compra tudo, paga bons advogados, até corrompe a justiça.

Culpa tem, também, o pai de Alexandre, advogado Antônio Nardoni, por sustentar, há anos, os caprichos do filho, inclusive bancando despesas em geral, até a pensão de Isabella. O papai da classe média, dia após dia, vem se transformando em pára-choque dos problemas inventados pelos filhos, inclusive aqueles de ordem jurídica.

Não se trata, ainda, de um fato jurídico, corroborado por provas. É uma convicção das autoridades que investigam o caso. Alexandre e Anna madrasta Carolina estavam violentamente abalados, extremamente agressivos, envolvidos numa pervertida discussão por motivos banais, ciúme, pela presença da menina Isabella, que carrega o gene da outra Ana Carolina. Como objeto da discussão, ela foi transformada em alvo de agressão.

Se você ainda não leu “DAS CRIANCINHAS, É O REINO DOS CÉUS”, ensaio despretensioso, postado por Baby Espíndola Repórter, em 3 de abril, tente encontrar algum tempo em sua atribulada agenda, para se debruçar sobre a tese do irracional que habita a raça humana. Viaje conosco, pelos caminhos e atalhos do reino animal, onde a preservação da espécie passa necessariamente pela eliminação do gene do adversário.

Em verdade, à medida em que a polícia aumenta o cerco ao casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, e, principalmente, após a revelação de detalhes intrigantes do depoimento da mãe de Isabella, Ana Carolina de Oliveira, mais e mais o casal suspeito de assassinato se encaixa no perfil traçado no ensaio, publicado por Baby Espíndola Repórter. Leia e, se possível comente. Nos ajude a entender o que aconteceu, no interior daquele sinistro apartamento, na noite do crime.

Baby Espíndola


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Quem matou a menina Isabella? Quem é o monstro, que teve coragem para atirar a criança de uma altura de mais de vinte metros, para o abismo da morte? A resposta pode estar aprisionada no porão de alguma mente doentia. Alguém que ainda não superou os conceitos de domínio de território, de clã e poder. Alguém que...

Nas savanas africanas, ou em outras planícies e florestas, batalhas acontecem, periodicamente, para que a natureza eleja o macho dominante de certos grupos de animais. O rei do harém será mantido, ou após a luta sangrenta, que pode terminar em morte, surgirá um novo macho territorial.

Dessa prática participam várias espécies de felinos, carniceiros em geral, e também herbívoros. Os macacos babuínos travam batalhas horripilantes, pelo domínio do harém, pelo direito de perpetuar a espécie, de transmitir o gene às gerações futuras.

Contudo, é entre os leões, que a luta pelo domínio de território e do grupo é mais violenta. Conhecemos esses detalhes através de relatos, documentários, a nós trazidos pela modernidade tecnológica.

Antes, durante e, principalmente, depois da luta, muito mais está em jogo. As fêmeas e, talvez, até os filhotes, sabem que suas vidas também correm risco. Os filhotes, escondidos entre moitas de capim, aguardam, apavorados, o fim da contenda.

Se o macho dominante conseguir vencer o rival desafiante, em pouco tempo as atividades do grupo voltarão à normalidade. As fêmeas continuarão caçando, como sempre, para alimentar os filhotes e o macho, que, por conta de hierarquia, tem prioridade na hora do banquete de sangue. Até lamberão suas feridas, o processo terapêutico que dá bons resultados.

Mas, se o desafiante vencer a sangrenta batalha, que pode durar minutos ou horas, toda a ordem estabelecida será quebrada. Ao perdedor, mesmo sendo ele o garanhão das estepes, resta o consolo de fugir para bem longe, levando na bagagem a dupla dor: a física, das feridas, e o desgosto de perder o reinado e ter que amargar a solidão. Parece que a notícia se espalha rapidamente, via internet leonina, e todos os demais grupos rivais ficam sabendo do triste currículo do derrotado. Infeliz destino. A partir de então, o leão ferido, geralmente velho, terá que caçar sozinho, para não morrer de fome. Tarefa essa, extremamente difícil, pois as caçadas são realizadas em grupo, sob a coordenação de uma das fêmeas.

E os filhotes, descendentes do macho vencido, todos serão executados pelo novo senhor da juba dominante. É uma tática facilmente compreensível. Primeiro, porque ele elimina a chance de uma vingança futura. Talvez, pelas características passadas de pai para filho, é possível que um descendente do derrotado tente se impor diante do novo rei, que desbancou seu pai. Mas, o principal motivo da matança, é liberar as fêmeas que, sem os filhotes para cuidar, entrarão mais rapidamente no cio. É nessa nova etapa do grupo, que o macho dominante fincará o mastro da bandeira de seu reinado.

Nem mesmo essa teoria do mundo animal, é capaz de explicar o comportamento da raça humana. Por que pai, mãe, padrasto, madrasta, assassinam seus filhos?

Que teoria poderá explicar a morte da menina Isabella Nardoni, 5 anos, que despencou, misteriosamente, do sexto andar de um prédio, na capital paulista, na noite de sábado, 29 de março. Se a versão da polícia está correta, o pai, o consultor jurídico Alexandre Alves Nardoni, 29 anos, e a madrasta da menina, esposa dele, a estudante Anna Carolina Trotta Peixoto Jatobá, são os suspeitos pela morte da criança.

Porém, culpa mesmo só se admite após todo um rito processual, com acusação baseada em provas contundentes e amplo direito de defesa. Ambos são os principais suspeitos, tanto assim é que o juiz Maurício Fossen, do Segundo Tribunal do Júri do Tribunal de Justiça de São Paulo, decretou o pedido de prisão temporária do casal, acatando pedido feito pelo delegado Calixto Calil Filho. O policial, lotado no 9º. DP, adotou essa decisão, após ouvir o depoimento da mãe biológica da menina Isabella, Ana Carolina Cunha de Oliveira, e dos avós maternos. Nem todos os detalhes dos depoimentos foram revelados, mas, com certeza, algo de muito grave e chocante deve ter sido dito ao delegado.

Ana Carolina I, Anna Carolina II. Parece que Alexandre é o “grande” conquistador da espécie Ana Carolina. Já está na segunda edição.

Se o pai espancou (há vestígios de sangue e de violência no apartamento) e atirou a criança para o abismo mortal, porque agiu dessa forma? Ele não é um macho dominante de um território. Ele se impõe de outras maneiras, pelo prestígio, pelas posses, pelos bens, pelo patrimônio, pelo direito adquirido em forma contratual de ocupar aquele apartamento (território). Exerce domínio sobre a fêmea, a segunda da espécie Anna Carolina, que conquistou numa “batalha” de forma nenhuma sangrenta.

E, se fosse para estabelecer domínio inconsciente, não atacaria a filha, que nenhuma ameaça lhe poderia impor, principalmente porque carrega seu gene.

Se a culpa recair, de fato, sobre o pai, ou a madrasta da criança, talvez tenhamos que adicionar elementos químicos, álcool, drogas ilícitas, para explicar uma atitude tão extremada. No momento, tudo não passa de especulação.

Do homem misterioso, que Alexandre diz ter visto no apartamento, até agora, após várias buscas e investigações da perícia, nenhuma notícia. Nem mesmo uma descrição física, o pai da vítima foi capaz de oferecer à polícia.

E se foi a madrasta (malvada)? Ela, sim, Anna Carolina II, inconscientemente, poderia estar querendo tirar de seu “território” a descendente de outro clã, outro gene, herdeira do patrimônio do macho dominante, concorrente de suas crias, na divisão de espaço, alimentação (caça), mas principalmente carinho.

Admitamos que ela imaginasse, cega por qualquer sentimento confuso, que Alexandre reservava mais atenção e carinho à menina Isabella, do clã Ana Carolina I, do que a seus dois filhos. Uma fêmea também luta por território e poder. Pode ser bastante habilidosa na arte de mostrar as garras. As leoas caçam e mantém hierarquia dentro do bando.

Em algumas espécies do reino animal, inclusive entre os cães selvagens, somente a fêmea alfa pode cruzar com o macho, também alfa, e reproduzir. Às tias é reservado o direito e (principalmente) dever de auxiliar na criação da prole. Seria, a menina Isabella, filha de uma fêmea desbancada do bando, que não mais é a matriarca alfa, uma ameaça aos instintos animais de Anna Carolina II? Aos 24 anos de idade cronológica, que idade mental tem essa moça? Tem maturidade para conviver com a imagem e semelhança da outra, a Ana Carolina I?

Todos nós somos mamíferos, de certa forma territoriais, dominantes e agressivos. Somos animais biológicos e, ao que tudo indica, estamos, gradativamente, perdendo a harmonia ditada por regras, conceitos éticos, ensinamentos religiosos, que servem de freio aos instintos selvagens, muitos deles calcados no materialismo territorial.

Quem matou a menina Isabella? Quem é o monstro, que teve coragem para atirar a criança de uma altura de mais de vinte metros, para o abismo da morte? A resposta pode estar encavernada no subconsciente de alguma mente doentia. Alguém que ainda não superou os conceitos de domínio de território, de clã e poder.

Fosse, eu, um psicólogo de carteirinha, me arriscaria ainda mais, perambulando pelas sanavas, vales e montanhas da teorização. Por ora, prefiro fazer parte do batalhão de pessoas que continuam lutando por um mínimo de ética, dignidade e respeito à vida. E, principalmente, por justiça.

Para os que ainda guardam um pouquinho de fé e dignidade, recordo algumas poucas palavras do Mestre: “Vinde a mim as criancinhas, pois delas é o reino dos céus”. Tenham certeza, a menina Isabella está muito bem, em esplêndida companhia.

Baby Espíndola


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COMENTÁRIOS

Sr. Spindola, incrível, como você acertou em cheio. É isso mesmo. A fera está dentro de nós. É a luta pela sobrevivência. Aqui, fala-se muito na concorrência da madrasta com a mãe da menina Isabella, um ciúme doentio. Sou aposentado e moro a pouco mais de três quilômetros do apartamento, onde a menina morreu. Aqui, é lei da selva. Esses jovens não têm limite. Parabéns pelos textos. Quando li "DAS CRIANCINHAS, É O REINO DOS CÉUS", enviei para vários amigos. Ainda bem que acreditamos que Isabella está "em esplêndida companhia". Se os pais não cuidaram dela, Jesus vai cuidar.

Jorge (...), de São Paulo - Por e-mail


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Que Deus perdoe quem fez essa maldade com a menina Isabella. Chorei muito, quando comecei a olhar a foto. Parece que ela quer dizer alguma coisa. A crônica "DAS CRIANCINHAS É O REINO DOS CÉUS", tá incrível.

Maria do Carmo, Santos/SP – Por e-mail






Um comentário:

Elis disse...

o que aconteceu no caso Isabella [é que os dois pai e madrasta são assassinos medíocres que nem merecem a misericordia dos ceus, ainda bem que eles tem filhos, e com certeza irão detestá-los para o resto da vida por saberem que dois inrresponsáveis tiveram a coragem de matar a irmanzinha deles. Um homem que cai numa armadilha feita pela mulher, não passa de um banana, principalmente armadilha contra um ente querido. Coitados dos Nardoni, já estão condenados ao fogo eterno .