sexta-feira, setembro 18, 2009

Editorial – VICE-PREFEITO VETA ISENÇÃO DE PEDÁGIO EM PALHOÇA

O prefeito Ronério Heiderscheidt (PMDB), recordista absoluto em viagens, embarcou para a Costa Rica, e deixou uma batata quente na mão do vice, Valmir Walmor Schwinden (DEM). Uma batata quente, é uma expressão inadequada. Talvez, um pepino espinhoso, tipo um ouriço venenoso.

Nem bem Ronério se instalava nas ricas costas do país caribenho, para chupar água de coco e beber umas cervejas bem geladas, e já nas bancas de cá, nas pobres costas do Atlântico Sul, o vice despachava a batata quente para a Câmara de Vereadores.

Valmir das Tintas, como o vice é carinhosamente conhecido, vetou, completamente, o projeto que definia isenção do pagamento da taxa de pedágio – de autoria do próprio Executivo – e, também, a emenda coletiva, assinada pelos onze vereadores, que ampliaria o benefício a todos os veículos emplacados em Palhoça.

O que não dá para entender é o veto integral. Há vários dias, rumores vindos da Casa Vermelha, estavam a indicar que o prefeito Ronério vetaria a emenda do Legislativo. Mas não o projeto que ele enviou à Câmara. O mais absurdo é que o prefeito deu uma escapulida até a Costa Rica e delegou poderes para o vice vetar tudo. Quando poderia vetar só a emenda.

Que leitura se faz desse fenômeno? Primeiro, que a Prefeitura de Palhoça não tem interesse em isentar ninguém. Pois não respeitou nem mesmo os 1.762 munícipes, que se cadastraram para usufruir do benefício (agora já são mais de 1.800). Depois, que a autoridade maior do município se curvou aos interesses da concessionária, que explora o pedágio.

Também devemos refletir sobre a ausência de entendimento entre a Casa Vermelha e os vereadores da base aliada, principalmente as lideranças que defendem os interesses prefeiturais na Câmara. O líder do prefeito no Legislativo, vereador Isnardo Brant (PMDB) também assinou a emenda coletiva, que sugeriu a isenção para todos os veículos emplacados em Palhoça, até o limite da arrecadação com ISS.

Se os vereadores que dialogam diretamente coma Casa Vermelha, eles próprios, trabalharam a emenda, como então, o Executivo, derrubou tudo, a emenda e o projeto na íntegra? Dedução: a Casa Vermelha não respeita os vereadores.

E agora, indagam os palhocenses: os vereadores vão derrubar o veto, ou se curvarão aos interesses da Prefeitura? Se adotarem essa postura, estarão sepultando suas próprias propostas.

Se depender do vice-presidente da Câmara, Nirdo Artur Luz (Pitanta – DEM), o veto será derrubado. Ele qualificou a decisão do vice Valmir como “coisa de um inconseqüente, atitude de um homem incompetente, um boneco de recado, que age contra a população”.

Pitanta, que exerce seu oitavo mandato consecutivo, conclama os vereadores a derrubarem o veto do prefeito (hoje) em exercício, “porque nós não podemos votar contra nós mesmos. Se aprovamos a emenda coletiva, devemos mantê-la e também o projeto do Executivo”.

Para vetar tudo, emenda e projeto, o vice Valmir tomou por base um documento, supostamente elaborado pela concessionária Auto Pista Litoral Sul, que, de forma autoritária, se posicionou contra a isenção. A concessionária espanhola quer mandar mais que o prefeito e os vereadores de Palhoça.

O vereador Leonel Pereira (PDT) afirmou que “a empresa não tem palavra. O documento é uma aberração, uma indecência”, e defendeu “uma mobilização geral da população, até que a praça de pedágio mude para o km 246”. Pitanta também afirma que “a empresa está mentindo para os palhocenses”.

O que a população espera é que a Câmara demonstre um mínimo de autonomia em relação à Casa Vermelha. E que derrube o veto. E que se danem a Prefeitura e a concessionária.

Um comentário:

Rogerio disse...

Bôbo é o povo que se deixa fazer de trouxa por esse teatrinho fisiologista de vereadores e deputados como se o pedágio fosse mesmo ser abolido.